A mais recente adaptação de “Street Fighter”, que chega aos cinemas nesta quinta-feira (15), é um exemplo claro de como a ambição desmedida pode comprometer uma obra. Embora o filme traga personagens icônicos e uma produção que respeita, em partes, a estética do material original, ele falha em capturar a essência das batalhas emocionantes que tornaram a franquia famosa.
O elenco, que inclui nomes como Andrew Koji e Callina Liang, não pode ser culpado por essa falha. A química entre os protagonistas é palpável e momentos de leveza surgem aqui e ali, mas isso não é suficiente para salvar um roteiro que parece mais preocupado em apresentar um desfile de lutadores do que em desenvolver suas histórias. O resultado é uma narrativa fragmentada que se perde em meio a uma enxurrada de personagens, muitos dos quais aparecem sem propósito.
O diretor Kitao Sakurai, conhecido por seu trabalho em “Bad Trip”, coescreveu um roteiro que deveria explorar a relação entre dois lutadores, Ryu e Ken, mas acaba se dispersando em subtramas desnecessárias. A trama é repleta de elementos que parecem mais preenchimento do que contribuições significativas, como a trama da agente da Interpol em busca de vingança e um brutamontes russo que mais parece um clichê do que um novo antagonista.
Embora haja boas intenções, como a animação que retrata o passado dos personagens e lutas que, quando ocorrem, são visualmente atraentes, a falta de foco compromete a emoção das cenas. O desperdício de talentos como Curtis “50 Cent” Jackson, que interpreta Balrog, e Orville Peck como Vega, é um lembrete amargo de que a falta de tempo de tela e desenvolvimento prejudica a experiência do espectador.
Em um filme onde o potencial é palpável, a ausência de conexões significativas entre os personagens e a repetição de cenas de ação mal elaboradas tornam-se um verdadeiro desperdício. A derrota de Guile, interpretado por Cody Rhodes, ocorre fora da tela, um símbolo do desprezo pela construção de uma narrativa envolvente.
Apesar de algumas escolhas visuais acertadas e uma tentativa de homenagear as fases clássicas dos jogos, “Street Fighter” parece esquecer o que realmente importa: a luta. Com tantos lutadores, o filme acaba se perdendo na própria confusão, deixando o público desejando mais emoção, mais coração e, acima de tudo, mais luta.
Crédito da imagem: Foto: Pixabay — Couleur (pixabay)



