Pitty está de volta com seu sexto álbum solo, que chega ao público nesta sexta-feira, 16 de outubro. Com 12 faixas, o novo trabalho homônimo parece evocar um retorno às raízes do punk rock, mas sem esquecer a complexidade da trajetória pessoal e musical da artista. O primeiro single, “Sobremesa”, já havia deixado um gosto agridoce, misturando a energia crua do rock com a sensação de um retrocesso na evolução sonora da cantora, que havia se reinventado em “Matriz” (2019).
Produzido em colaboração com Rafael Ramos, o álbum “Pitty” tem um gosto semelhante ao de “Sobremesa”, mas é inegável que a artista baiana traz consigo a bagagem dos últimos anos. A maturidade adquirida aos 49 anos, somada a experiências como a maternidade e desafios pessoais, transforma suas letras em um manifesto poderoso e autêntico.
Dentre os destaques, “Não à deriva” e “Desobediente” fazem uma ponte entre o punk e o metal, revelando um som que remete aos primórdios da artista. Entretanto, a faixa “Álbum de casamento” se destaca pela crueza emocional, onde Pitty reflete sobre relacionamentos e autoestima de forma intensa: “A minha insanidade quem resolve sou eu”, reitera, mostrando um lado autoconfiante e assertivo.
Por outro lado, “Pileque de poeta” e “Sobriedade seletiva”, co-produzidas por Felipe Vassão, trazem uma sonoridade que flerta com o pop contemporâneo, destoando do restante do álbum. Já “Amiga”, com seu toque de tecnobrega, também se destaca, mas talvez não se encaixe perfeitamente na proposta geral.
As baladas “Caminhada” e “Cuidada” são momentos de profunda reflexão e conexão, onde Pitty aborda a sororidade e sua relação com a mãe, Laurita, revelando um acerto de contas que ecoa em sua nova posição como mãe. O álbum, marcado pela fúria das guitarras e uma produção robusta, encerra com “Nó”, onde a frase “Pior que cair é nem tentar andar” ressoa como um convite à resiliência.
Embora “Pitty” possa dar a impressão de um pequeno passo atrás em relação a “Matriz”, é inegável que a artista continua em movimento, firme em sua identidade e pronta para desafiar e inspirar. A nova obra é uma afirmação do poder da música como meio de autoconhecimento e superação.



