Dionne Warwick, um ícone da música pop norte-americana, continua a tecer sua história de amor com a música brasileira, e isso ficou evidente em sua apresentação na casa Vivo Rio, no último sábado, 17 de outubro. A artista, que se prepara para se despedir dos palcos com a turnê “Over and out – A farewell tour”, trouxe uma seleção de clássicos brasileiros, reforçando sua conexão com o país que tanto a inspirou.
Desde sua primeira incursão na música brasileira, no início dos anos 90, quando lançou o disco “Aquarela do Brasil”, Dionne tem se dedicado a reinterpretar canções que fazem parte do nosso patrimônio musical. Embora o álbum não tenha alcançado o sucesso esperado, o trabalho da cantora é um testemunho de sua admiração pelas composições de mestres como Antônio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes.
Durante o show, a artista de quase 86 anos, que completará essa idade em dezembro, utilizou uma abordagem vocal mais suave, que se encaixa perfeitamente na bossa nova. A abertura do espetáculo ficou por conta de “Garota de Ipanema”, um samba que tem um significado especial para a música brasileira e que foi apresentado pela primeira vez pelos seus compositores em 1962, o mesmo ano em que Dionne lançou seu primeiro single solo.
Na sequência, a cantora encantou o público com “Na Baixa do Sapateiro”, imortalizada por Ary Barroso, em uma versão em inglês que trouxe à tona a essência da bossa nova, inclusive arriscando alguns versos em português. O medley de Tom Jobim, que incluiu “Quiet nights of quiet stars”, “Wave” e “Waters of March”, foi uma das partes mais emocionantes da noite, mostrando a habilidade de Dionne em mesclar ritmos e línguas.
Encerrando sua apresentação, a cantora homenageou a canção que dá nome ao disco “Aquarela do Brasil”, trazendo uma interpretação que parecia quase épica. Ao se despedir, Dionne deixou claro que, apesar de não voltar aos palcos, continuará sua relação com o Brasil, prometendo que o público ainda a encontrará em outros espaços da vida carioca.
A apresentação de Dionne Warwick não foi apenas um show; foi uma celebração de uma trajetória que une culturas e gerações através da música. A artista, que ao longo de sua carreira desafiou barreiras e construiu pontes, reafirmou seu amor pelo Brasil, um sentimento que, sem dúvida, ecoará muito além de seus últimos acordes nos palcos.



