quinta-feira, 29/10/2026

A importância de “O Outro Lado das Redes” na formação de jornalistas é reconhecida pelo g1.

A estreia de “O Outro Lado das Redes” nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (22) surge em um momento crucial, especialmente com o cenário eleitoral agitado que o Brasil enfrenta. O filme, que é escrito…

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A estreia de “O Outro Lado das Redes” nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (22) surge em um momento crucial, especialmente com o cenário eleitoral agitado que o Brasil enfrenta. O filme, que é escrito e dirigido por Aaron Sorkin, conhecido por seu trabalho em “A Rede Social” e “Os 7 de Chicago”, traz à tona a investigação reveladora “The Facebook Files”, publicada pelo “The Wall Street Journal” em 2021. Essa investigação expôs os perigosos segredos do Facebook, revelando como a plataforma priorizava conteúdos extremistas em detrimento da verdade e da segurança dos usuários.

A narrativa gira em torno do repórter Jeff Horwitz, interpretado por Jeremy Allen White, que, com o auxílio de Frances Haugen, uma ex-engenheira da empresa, desenterra documentos internos que demonstram a responsabilidade da rede social na propagação de discursos de ódio e desinformação. O filme se torna ainda mais relevante no contexto atual, onde as redes sociais são acusadas de enviesar o debate político, especialmente em ano de eleições.

O roteiro de Sorkin, que alterna entre os anos de 2019 e 2021, revela como a manipulação de informações pela plataforma afetou a sociedade durante a pandemia de coronavírus. Através de diálogos que evocam a realidade brasileira, o espectador é confrontado com a resistência de indivíduos em aceitar a verdade científica, refletindo uma crise de informação que se espalhou pelo mundo.

As atuações do elenco são um ponto alto do longa. Mikey Madison brilha como a tímida e determinada Frances, enquanto Jeremy Allen White constrói um Horwitz obstinado que se recusa a desistir, mesmo diante de desafios impostos por seus superiores. Jeremy Strong, como a nova encarnação de Mark Zuckerberg, captura a essência do CEO sem cair na armadilha da caricatura, apresentando um personagem complexo e, ao mesmo tempo, distante.

Ao traçar paralelos com outros filmes que abordam investigações jornalísticas, como “The Post — A Guerra Secreta”, “O Outro Lado das Redes” se estabelece como uma obra fundamental que ressalta o papel da imprensa em tempos de crise. Uma cena impactante mostra Zuckerberg em um ambiente fortificado, simbolizando não apenas sua proteção, mas também a maneira como a elite política se resguarda de questionamentos e responsabilidades.

Ao final, o filme deixa claro que, apesar das aparências de invulnerabilidade, tanto Zuckerberg quanto a classe política que se beneficia de sua plataforma não estão imunes às consequências de suas ações. “O Outro Lado das Redes” é uma reflexão necessária sobre o poder das redes sociais e o impacto que elas têm sobre a verdade e a democracia.

Crédito da imagem: Trailer dublado de 'O Outro Lado das Redes'.