quinta-feira, 29/10/2026

Karim Aïnouz revela o processo de atração de Elle Fanning e Callum Turner para seu novo filme: ‘O desejo pelo conteúdo

Karim Aïnouz, o renomado diretor cearense, retorna ao Brasil após a 76ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim com seu mais novo filme, “Rosebush Pruning”. A produção, que estreou nos cinemas brasileiros…

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Karim Aïnouz, o renomado diretor cearense, retorna ao Brasil após a 76ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim com seu mais novo filme, “Rosebush Pruning”. A produção, que estreou nos cinemas brasileiros no último dia 15, conta com um elenco impressionante, incluindo Elle Fanning, Callum Turner, Riley Keough, Jamie Bell, entre outros. O longa-metragem promete levar o público a uma reflexão profunda sobre relações familiares e a superficialidade da vida moderna.

Em uma conversa reveladora com o g1, Aïnouz compartilhou seu entusiasmo em trabalhar com Fanning e Turner, destacando o interesse genuíno dos atores pelo roteiro escrito por Efthimis Filippou. “Elle almoçou comigo e falou sobre sua vontade de interpretar uma personagem que provoca mudança, um aspecto que é extremamente estimulante para qualquer ator”, explicou o diretor, que é conhecido por suas obras sensíveis e provocativas, como “A Vida Invisível” e “Praia do Futuro”.

O filme se desenrola na Catalunha e mergulha na vida de uma família americana rica e excêntrica, cujo foco nas aparências coloca em segundo plano questões mais profundas, como o cuidado com seu pai cego e autoritário. A trama se intensifica quando Jack, o filho mais velho, decide deixar a família para viver com a namorada, desencadeando uma série de eventos violentos que culminam na desestruturação familiar.

A ideia de “Rosebush Pruning” começou a tomar forma durante a pandemia, um período que Aïnouz descreve como desafiador e repleto de incertezas. O cineasta revela que o projeto foi inspirado em “De Punhos Cerrados”, um clássico do cinema italiano. Esta nova versão, segundo ele, reflete não apenas sua visão artística, mas também uma crítica ao patriarcado, comparando a dinâmica familiar à governança de um país. “A história dialoga com o isolamento dos ricos, um tema que emergiu forte durante a pandemia”, acrescenta.

O diretor também se mostrou entusiasmado com a possibilidade de explorar a sátira, uma abordagem que permite discutir temas pesados de uma maneira que induz o riso e a reflexão. “Eu sempre quis que as pessoas se sentissem desconfortáveis e tivessem uma relação visceral com os personagens, mesmo que não se apaixonem por eles”, afirmou Aïnouz, destacando o potencial provocativo de sua narrativa.

Embora “Rosebush Pruning” contenha cenas impactantes, Aïnouz compartilhou que não encontrou resistência por parte do elenco, que se mostrou curioso e disposto a abraçar a complexidade do projeto. “O que eu percebi foi um desejo de participar de algo que era diferente de tudo que já haviam feito”, disse ele, confiante de que o público brasileiro se identificará com o humor que permeia a obra.

Além disso, a estética do filme, com uma fotografia vibrante e uma trilha sonora marcante, promete cativar os espectadores. Aïnouz enfatiza a importância de sua marca autoral, mesmo em produções internacionais, buscando sempre contar histórias que o inspirem. “Estou sempre em busca de personagens e narrativas que me cativem, não importa onde estejam ambientadas”, conclui o diretor, que já planeja novos projetos no exterior.