A Turma do Pagode, um dos ícones do gênero, celebrou seus 30 anos de carreira em uma entrevista ao g1, onde discutiu sua relação com grupos mais jovens e a dinâmica do mercado musical atual. O grupo, conhecido por sua disposição em colaborar com artistas emergentes, destacou a importância de apoiar a nova geração, exemplificada pela colaboração de sucesso com o Grupo Chocolate na canção “Alô Virgínia”. “A gente sempre tem carinho por quem tá chegando”, afirmou Leizinho, ressaltando a reciprocidade que sempre recebeu no início de sua trajetória.
A banda se diferencia no cenário musical por não ter optado pela carreira solo, o que, segundo Leizinho, é uma escolha consciente. “Nunca tive vontade de fazer carreira solo. A gente preza o grupo”, comentou, enfatizando que o coletivo é mais forte do que a individualidade. Ele acrescentou que, durante a pandemia, a decisão de permanecer unido poderia ter custado dinheiro, mas prevaleceu a ideia de que juntos são mais fortes.
Os integrantes também explicaram sua preferência por gravações ao vivo em vez de estúdio. Caramelo explicou que, para eles, o estúdio traz uma sensação de rigidez. “Ao vivo, se você ficar corrigindo muito, tira o lance do ao vivo”, disse, reforçando que ensaios rigorosos garantem a qualidade das apresentações sem depender excessivamente de edições pós-gravação.
O grupo também comentou sobre o cenário atual da música, que permite que artistas menos favorecidos financeiramente possam viralizar com facilidade. “Qualquer coisa que você faça atualmente pode ser uma possibilidade”, observou Caramelo, refletindo sobre como a era digital democratizou a exposição musical. Eles também relembraram o impacto da canção “Camisa 10”, que se tornou um divisor de águas em sua carreira, permitindo que eles alcançassem novos patamares.
Além disso, a Turma do Pagode expressou sua visão sobre a mistura de gêneros, que faz parte de sua identidade artística desde sempre. “Tem que fazer sentido com o que a gente acredita”, disse Leizinho, citando a transformação da música “Deixa em off”, que inicialmente não era pagode. A liberdade criativa é uma marca registrada do grupo, que não se limita a um único estilo.
Por fim, os músicos abordaram o tema da cobrança por posicionamento político, especialmente em tempos de cancelamentos. Leizinho defendeu que os artistas têm o direito de se manifestar ou não, e Caramelo acrescentou que as escolhas trazem consequências. Com um toque de humor, os artistas encerraram a conversa compartilhando o sonho de um dia gravar com Bruno Mars, mas com uma condição: que ele cante pagode.



