O novo álbum de Rodrigo Campos, Romulo Fróes e Thiago França, intitulado “03 na ribanceira”, tem se destacado na cena musical brasileira desde seu lançamento em 29 de outubro. Com uma capa que revela uma pintura de Fróes, o disco se apresenta como uma obra sensível que, embora enraizada no samba, explora nuances sombrias e melancólicas. A proposta sonora do trio reflete uma busca por um espaço na “Roda viva perdida querendo encontrar / Saída”, conforme expressam em um dos sambas do álbum.
A qualidade poética das letras é um dos pontos altos do projeto, com sete das nove faixas apresentando versos que podem ser apreciados como poesia independente da música. Um exemplo notável é “Bodiado”, que se destaca por sua carga emocional e referências que remetem a grandes nomes como Chico Buarque. A interpretação de Fróes, com seu timbre áspero, intensifica a atmosfera de inquietude que permeia grande parte do repertório, embora haja momentos que sugerem um respiro esperançoso.
Em “O nosso jogo de azar”, por exemplo, o eu-lírico busca uma reviravolta, alinhando-se ao arranjo que destaca a beleza do samba. A percussão, habilmente manejada por Campos, complementa o cavaquinho de França, criando um diálogo sonoro que se estende até o tema instrumental “Chapéu lilás”. Este último, que mescla a fragilidade do saxofone com a guitarra, evidencia a versatilidade do trio.
Por outro lado, a melancolia não dá descanso. Faixas como “Corpo e capim” trazem versos que falam de um desassossego interior, enquanto “Mora na memória” evoca um passado perdido e saudoso, com um canto que conta com a participação de Clima e Juliana Perdigão. É uma reflexão sobre as frustrações e as desilusões que marcam o cotidiano.
Por fim, o álbum culmina em “Um rio sem rio”, uma samba-canção que, com as vozes de Ferriani e Fróes, encapsula a ideia de um vazio existencial. A festa parece ter chegado ao fim, mas a obra de Campos, Fróes e França brilha na escuridão, revelando um salto criativo que ressoa profundamente. “03 na ribanceira” é, assim, uma imersão em um samba que, apesar de seu tom nublado, revela a capacidade de renovação e a força da arte em tempos difíceis.



