A nova série “Noturno”, que chega à Apple TV nesta sexta-feira (30), vai além do mero entretenimento ao explorar as complexidades da manipulação humana através da figura de um serial killer astuto. Estrelada por Liev Schreiber, Zazie Beetz e Stephen Graham, a produção adapta “O Homem de Areia”, um dos sucessos literários do autor sueco Lars Kepler, e traz à tona reflexões sobre como as dinâmicas de controle e engano podem se manifestar em nosso cotidiano.
Na trama, um psicopata que continua a aterrorizar uma cidade mesmo sob a vigilância de uma instituição psiquiátrica provoca uma corrida frenética de investigadores atrás de suas vítimas. Schreiber, que interpreta o protagonista, destaca que a manipulação não é exclusividade de indivíduos, mas pode ser promovida por ideias e narrativas que permeiam a sociedade. Ele reflete: “Todos estamos sendo manipulados de muitas maneiras diferentes. E nem sempre é por uma pessoa.” Essa afirmação, embora feita em tom descontraído, revela uma preocupação com a vulnerabilidade humana em face de influências externas.
A série, que se inicia com o quarto volume de uma obra que já conta com dez livros, traz Zazie Beetz como Saga, uma agente do FBI que se infiltra na instituição psiquiátrica. Embora Beetz admita não ter lido todos os livros, ela se sente atraída pela narrativa contida e pela profundidade do arco de seu personagem. Sua participação como produtora-executiva também indica um empenho em garantir que a adaptação respeite a essência da obra original.
Stephen Graham, que assume o papel do vilão, destaca a sutileza de sua interpretação, que busca provocar medo e tensão sem recorrer a gestos exagerados. Ele comenta sobre a habilidade do diretor Tim Van Patten em criar um ambiente de terror psicológico, onde a ameaça se materializa na mente do público. “O Tim fez você ficar com muito medo de mim sem que eu fizesse nada”, afirma Graham, reconhecendo que a verdadeira força do personagem reside na manipulação e na expectativa que ele gera.
O enredo é enriquecido pela presença de Rory Culkin, que interpreta o enfermeiro Karl, um personagem que exemplifica a hipnose que muitos sentem em relação a figuras malignas. Culkin revela que sua audição foi marcada por uma reação paralisada diante da presença ameaçadora do vilão, reforçando a ideia de que o medo pode ser tão eficaz quanto a ação em si.
O showrunner John Hlavin enfatiza que a transição da atmosfera nórdica para uma ambientação americana exigiu ajustes na narrativa, mantendo o foco em Jonah e sua busca por justiça. O suspense é alimentado por um jogo de inteligências entre o protagonista e o psicopata, que se vê obrigado a elevar seu nível de manipulação diante de adversários igualmente astutos. “O legal para o público é justamente assistir a personagens capazes tentando passar a perna uns nos outros”, conclui Hlavin, prometendo uma experiência intensa e repleta de reviravoltas.


